Uma história de Fé, Amor e Perdão
A história da
mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus registrado no Evangelho de (Lucas 7:
36-50), revela vários aspectos importantes que nos ajudam a perceber o amor e a
soberania de Deus em nossas vidas. Dentre alguns desses aspectos temos o vaso
de alabastro e o ungüento, ou seja, um recipiente contendo um precioso óleo perfumado
de puro nardo.
Esses
pequenos vasos de perfume em forma de frascos eram originalmente feitos duma
pedra encontrada perto de Alabastron, no Egito. Era tampado no gargalo para que
o conteúdo não se perdesse e para preservar o perfume. Para usar a pessoa
precisava quebrar o vaso, para que o conteúdo não se perdesse o vaso tinha
ranhuras em forma de espiral que indicava onde o vaso deveria ser quebrado para
não se perder todo o bálsamo.
O nardo era um óleo extraído da
raiz de uma planta da Índia chamada Nardostachys jatamansi que crescia nas
montanhas do Himalaya. À distância e a raridade da planta eram os ingredientes
que tornava o nardo caríssimo e muito procurado.
“Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele.
Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. E eis que uma mulher da cidade,
pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de
alabastro com ungüento; e, estando por detrás,
aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os
próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento” (Lc 7:36-38).
Essa passagem bíblica é muito
significativa ela revela a magnitude do amor ágape sendo exalado através de um
vaso quebrado e completamente rendido aos pés de Jesus! Deus nos fez como vaso (Jeremias 18:6), e colocou Seu Espírito dentro de nós (1Corintios 3:16), ou seja, temos um
tesouro em vasos de barro (2Co
4:7). Precisamos assim como a mulher pecadora quebrar o nosso vaso, para que o
perfume de Cristo exale o ambiente que a nossa planta do pé pisar. “(...), porque
Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele
nos concedeu. (Rm 5:5)”.
Essa mulher expressou um ato de adoração quebrando o seu vaso e
derramando-o sobre Jesus e ungindo seus pés. No entanto essa
demonstração de fé e amor escandalizou o fariseu que o
havia convidado a ponto dele duvidar do próprio Jesus dizendo:
Se este fora profeta saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é
pecadora (Lc 7:39b).
Às vezes somos assim como esse
fariseu, agimos de acordo com nossa visão limitada centralizando apenas a nossa
maneira de adoração como única e fechamos os olhos para as demais
que ultrapassa de alguma forma nosso conceito doutrinal. E logo caímos na mente, pensamos e reprovamos sem ao menos procurar
entender, conhecer e etc. O Senhor conhecendo a nossa condição deixa registrado
no livro de Romanos uma pergunta que nos leva a refletir sobre essa questão, Ele diz: “Quem és tu que julga o servo
alheio? (Rm 14:4ª)”.
Normalmente a nossa tendência é
defender nossas opiniões, auto justificar-se, permanecer duros e implacáveis
diante de situações contrárias ao nosso ponto de vista, enfim, temos o costume
de proteger o nosso vaso. Mas a verdade é que se o nosso vaso não for quebrado,
jamais o perfume de Cristo será exalado e o amor pouco a pouco acabará, tornando-nos
assim pessoas insensíveis. Sem esse fluir da verdadeira vida em nós, não conseguiremos
viver de acordo com o padrão de Deus no que se refere “amarás o teu próximo
como a ti mesmo" (Mc12:31).
Aparentemente quando o fariseu
aponta aquela mulher como pecadora demonstra que na sua visão ele não se via na
mesma condição de pecador que ela. Por que na sua concepção o seu pecado não
era nada em comparação ao dela. Mas Deus não ver como o homem ver e nem julga
como o homem julga. “Portanto, és indesculpável ó homem, quando julgas, quem
quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois
praticas as próprias coisas que condenas” (Rm 2:1).
O Senhor percebendo que aquele
homem ainda estava preso as suas doutrinas o qual de certo modo estava
impedindo-o de avançar, ou seja, de ver o que o Senhor queria mostrar-lhe. Ele
então o leva a refletir de maneira que ampliasse um pouco a sua visão contando-lhe
uma história que dizia: “Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia
quinhentos denários, e o outro, cinqüenta. Não tendo nenhum dos dois com que
pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? Respondeu
Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: julgaste bem (Lc
7: 41-43).
Deus não estava preocupado com o
tamanho do pecado daqueles dois homens, ele conhecia a condição de cada um. O
que Ele via realmente é que tanto um quanto o outro necessitava de perdão. Semelhantemente
a mulher e o fariseu foram perdoados pelo Senhor, mas ela que devia um valor
maior demonstra mais amor e gratidão ao Senhor.
Portanto percebe-se através da
atitude do fariseu que ele julgava-se ser melhor do que aquela mulher, porque
seu pecado não era tão grande quanto o dela e, por pensar assim, seu coração
não era tão grato e cheio de amor como o da mulher pelo perdão recebido do Senhor.
E por conseqüência seu vaso não foi quebrado e faltou-lhe o bom perfume de
Cristo. Por isso Jesus faz uma comparação entre a mulher e o fariseu, no que
diz respeito ao tratamento que ele recebeu pelos dois:
“E, voltando-se
para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me
deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os
enxugou com os seus cabelos. Não me deste
ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus
pés. Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela
muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama” (Lc 7:44-47).
Quanta riqueza está no ato do
perdão! Somente o verdadeiro amor que exala da vida de Cristo em nós é capaz de
esquecer as nossas dívidas. Quando sentimos dificuldade de perdoar é porque
amamos pouco. Que possamos quebrar o nosso vaso diante do Senhor e nos render
aos seus pés. Quando reconhecemos o que o Senhor fez por nós, sabendo que não
merecíamos tamanho amor, esse amor inunda nosso ser e conseqüentemente nos torna
pessoas com um coração cheio de amor e exalamos esse perfume em todos os
lugares. De maneira que podemos dizer: “Logo, já não sou eu quem vive, mas
Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho
de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2:20).
reflexão
Essa história mostra-nos que
Senhor esta disposto a perdoar nossas dívidas independentemente de quem deve
mais o menos. Ele não mede Seu amor para nos perdoar, Ele simplesmente nos
perdoa quando O buscamos com um coração quebrantado e nos humilhamos aos seus
pés. Ele não espera ninguém perfeito, apenas um coração arrependido. Alguém que
reconheça que o amor é a chave do perdão, libertação, cura, transformação,
enfim, que é o caminho sobremodo excelente. Ele também espera que expressemos o
mesmo amor que Ele demonstrou a nós, ao nosso próximo. “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha
motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também
perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja
o amor, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3:13-14).
“Que darei eu ao SENHOR
por todos os benefícios que me tem feito?”
(Salmo 116:12).
autora : Mª Betânia Bernardo


